O que fazer quando parece que a terapia não está funcionando?
Você começou a terapia esperando melhorar, mas depois de algumas sessões sente que continua ansiosa, cansada ou presa aos mesmos problemas. Será que a terapia não está funcionando? Nem sempre. Existem diferentes motivos para essa sensação e conversar sobre eles faz parte do próprio processo terapêutico.

“Eu estou fazendo terapia, mas continuo ansiosa”
Essa é uma situação mais comum do que parece.
Quando alguém procura terapia, é natural esperar que os sintomas desapareçam rapidamente. Afinal, se você decidiu pedir ajuda, provavelmente já estava cansada de se sentir daquela maneira.
Mas a terapia não funciona como um botão que desliga a ansiedade.
O processo envolve compreender o que está acontecendo, identificar padrões e construir novas formas de lidar com pensamentos, emoções e situações difíceis.
Por isso, continuar sentindo ansiedade em alguns momentos não significa, por si só, que a terapia não está funcionando.
Talvez a sua melhora esteja acontecendo de outra forma
Nem sempre a primeira mudança é sentir menos ansiedade.
Às vezes, você começa a perceber que entende melhor o que sente. Consegue identificar seus gatilhos. Percebe pensamentos que antes passavam despercebidos. Começa a colocar limites ou enfrenta situações que costumava evitar.
Essas mudanças podem parecer pequenas, mas fazem parte do processo.
A psicoterapia pode produzir mudanças em diferentes aspectos do funcionamento emocional, comportamental e interpessoal, e essas mudanças nem sempre acontecem todas ao mesmo tempo.
Mas também pode ser necessário conversar sobre isso
Existe uma diferença entre ter dúvidas sobre o processo e permanecer meses sentindo que não existe nenhum avanço.
Se você sente que não está melhorando, isso não precisa ser um assunto proibido dentro da terapia.
Você pode dizer ao seu psicólogo:
“Eu sinto que não estou evoluindo. Podemos conversar sobre isso?”
Essa conversa pode ajudar vocês a entenderem o que está acontecendo e a avaliar se os objetivos do tratamento continuam fazendo sentido.
E se eu não me identificar com o meu psicólogo?
A relação entre paciente e terapeuta também importa.
Você precisa sentir que existe espaço para falar, questionar, discordar e trazer assuntos difíceis.
Isso não significa que toda sessão será confortável. Algumas conversas podem ser difíceis justamente porque envolvem mudanças importantes.
Mas sentir que você não consegue se expressar ou que não existe uma boa comunicação é algo que merece ser considerado.
Às vezes, o tratamento precisa de ajustes
O tratamento psicológico não precisa ser completamente abandonado porque não está funcionando como você esperava.
Pode ser necessário rever os objetivos, mudar estratégias, trabalhar determinados problemas com mais profundidade ou avaliar se outro tipo de abordagem seria mais adequado.
Em algumas situações, também pode ser importante buscar avaliação de outro profissional de saúde.
O mais importante é não permanecer sofrendo em silêncio.
Antes de desistir, converse
Talvez a terapia realmente não esteja funcionando da maneira que você esperava.
E tudo bem reconhecer isso.
Mas antes de concluir que “terapia não funciona para mim”, vale conversar sobre o que você está sentindo.
A terapia também é um espaço para falar sobre a própria terapia.
Você não precisa fingir que está melhor.
Pode dizer que está frustrada, que esperava mais, que não está entendendo o processo ou que está pensando em desistir.
Essas conversas podem fazer parte da mudança.
Nem sempre continuar significa insistir da mesma maneira
Cuidar da saúde mental também significa avaliar o que está funcionando e o que precisa mudar.
Às vezes, continuar significa permanecer no processo.
Às vezes, significa ajustar o caminho.
E, em alguns casos, significa procurar outro profissional.
O importante é que a decisão seja tomada com cuidado, e não simplesmente porque você teve uma semana ruim ou porque esperava deixar de sentir ansiedade imediatamente.
A recuperação não precisa ser perfeita para estar acontecendo.
Referências
YOSHIDA, Elisa Medici Pizão. Psicoterapia e processo de mudança: contribuições para a prática clínica. Psico-USF, Campinas, v. 13, n. 1, p. 115-121, 2008.
CORDIOLI, Aristides Volpato; GREVET, Eugênio Horácio. Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
Fez sentido pra você?
Podemos conversar sobre o que você está sentindo, sem compromisso.
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