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Ansiedade

Por que não dá para diagnosticar ansiedade apenas pelos sintomas físicos?

Falta de ar, coração acelerado, tontura, enjoo e dor no peito podem assustar bastante. Como esses sintomas também podem aparecer durante crises de ansiedade, é comum pensar imediatamente que essa é a causa. Mas sintomas físicos, sozinhos, não são suficientes para diagnosticar ansiedade.

Emili Pacheco
Psicóloga Clínica · CRP 18/8303 · 10 de setembro de 2026

“Meu coração acelerou. É ansiedade?”

Pode ser.

Mas também pode não ser.

A ansiedade pode provocar diversas manifestações físicas. Durante uma crise de pânico, por exemplo, podem aparecer palpitações, falta de ar, sensação de sufocamento, dor ou desconforto no peito, tontura, tremores, náusea e outros sintomas.

Isso acontece porque a ansiedade envolve respostas do organismo diante de uma percepção de ameaça.

O problema é quando começamos a interpretar qualquer sintoma físico automaticamente como ansiedade.

O mesmo sintoma pode ter diferentes causas

Imagine que uma mulher comece a sentir o coração acelerado.

Ela pode estar ansiosa naquele momento.

Mas palpitações também podem estar relacionadas a outras condições de saúde, medicamentos, substâncias ou alterações fisiológicas.

O mesmo acontece com sintomas como tontura, falta de ar e desconforto no peito.

Por isso, o diagnóstico precisa olhar para o conjunto da experiência e não apenas para um sintoma isolado.

A avaliação dos transtornos de ansiedade recomenda justamente investigar se os sintomas podem estar relacionados a alguma condição clínica, ao uso de medicamentos ou a substâncias.

Então como saber se é ansiedade?

É preciso olhar para o contexto.

Durante uma avaliação, podem ser investigadas perguntas como:

Quando esse sintoma aparece?

O que estava acontecendo antes?

Ele acontece apenas em determinadas situações?

Quanto tempo dura?

Com que frequência aparece?

Existem outros sintomas junto?

Isso está fazendo você evitar situações?

Existe sofrimento ou prejuízo na sua rotina?

Essas informações ajudam a compreender o que está acontecendo.

A ansiedade também pode aparecer no corpo

Isso não significa que os sintomas físicos sejam “imaginação”.

Eles são reais.

Quando uma pessoa está ansiosa, seu organismo pode entrar em estado de alerta. Isso pode produzir alterações físicas que são percebidas de maneira bastante intensa.

É justamente por isso que uma crise de ansiedade pode parecer tão assustadora.

Uma pessoa pode realmente sentir que não consegue respirar, que o coração está disparado ou que vai desmaiar.

O fato de esses sintomas terem relação com a ansiedade não significa que sejam inventados ou exagerados.

Mas atenção aos sintomas novos ou intensos

Existe um cuidado importante.

Se você apresenta um sintoma físico novo, intenso, persistente ou diferente do que costuma sentir, não é adequado simplesmente concluir que “é ansiedade”.

Algumas condições cardiovasculares, respiratórias, neurológicas e endocrinológicas podem produzir sintomas semelhantes aos encontrados nos transtornos de ansiedade.

Por isso, dependendo do caso, uma avaliação médica pode ser necessária.

Especialmente quando existe dúvida sobre a origem do sintoma.

E quando a pessoa já sabe que tem ansiedade?

Mesmo quem já recebeu um diagnóstico de transtorno de ansiedade não deve assumir automaticamente que todo sintoma físico novo é causado pela ansiedade.

Ter ansiedade não impede que uma pessoa também possa apresentar outro problema de saúde.

É por isso que profissionais precisam avaliar cada situação dentro do contexto.

O diagnóstico não está em um único sintoma

Talvez essa seja a principal mensagem.

Você não tem um transtorno de ansiedade simplesmente porque sente palpitações.

Nem porque sente falta de ar.

Nem porque já teve tontura durante uma situação de estresse.

O diagnóstico considera diferentes informações, como intensidade, duração, frequência, contexto, sofrimento e prejuízo na vida cotidiana.

Por isso, tentar descobrir sozinha o que está acontecendo apenas pesquisando sintomas na internet pode aumentar ainda mais a preocupação.

Escutar o corpo também é cuidar da saúde

Se você percebe sintomas físicos frequentes e não sabe o que está acontecendo, procurar avaliação é uma forma de cuidado.

Pode ser ansiedade.

Pode ser outra coisa.

Pode ser uma combinação de fatores.

O importante é não precisar escolher uma explicação antes de investigar.

Seu corpo merece ser levado a sério, e sua saúde emocional também.

A avaliação profissional existe justamente para ajudar a compreender essa diferença.


Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Transtornos de ansiedade no adulto: Rastreamento / Diagnóstico. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/ansiedade/unidade-de-atencao-primaria/rastreamento-diagnostico/. Acesso em: 10 set. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Transtornos de ansiedade no adulto: Definição. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/ansiedade/definicao/. Acesso em: 10 set. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Transtornos de ansiedade no adulto: Manejo inicial / Conduta. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/ansiedade/unidade-de-atencao-primaria/manejo-inicial-conduta/. Acesso em: 10 set. 2026.

ANDRADE, Laura Helena et al. Transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, supl. 2, p. 20-23, 2000. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/dz9nS7gtB9pZFY6rkh48CLt/. Acesso em: 10 set. 2026.

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