Por que sinto ansiedade sem motivo? Entenda o que pode estar acontecendo
Sentir o coração acelerar sem saber por quê não significa que a ansiedade seja inventada ou exagerada. Quase sempre existe um processo por trás dela, mesmo quando o gatilho não está evidente.

Você já estava em casa, no trabalho ou até relaxando quando, de repente, sentiu o coração acelerar, um aperto no peito ou uma sensação de que algo ruim estava prestes a acontecer?
Nessas horas, é comum pensar: "Mas eu nem tenho motivo para estar ansiosa."
Embora pareça surgir do nada, a ansiedade raramente acontece sem que exista algum processo por trás dela. Nem sempre conseguimos identificar esse gatilho de forma imediata, porque nosso cérebro interpreta experiências, lembranças e situações de maneira muito rápida, muitas vezes fora da nossa percepção consciente (COÊLHO; TOURINHO, 2008; FROESELER; SANTOS; TEODORO, 2013).
Isso significa que sentir ansiedade sem conseguir apontar um motivo específico não quer dizer que ela seja "inventada" ou exagerada. Significa apenas que a origem dessa resposta pode não estar evidente naquele momento.
Além disso, o estresse acumulado também pode contribuir para que o organismo permaneça em estado de alerta por mais tempo. Excesso de responsabilidades, preocupações constantes, conflitos e poucas oportunidades de descanso podem aumentar essa sensibilidade, fazendo com que pequenas situações desencadeiem sintomas intensos (COÊLHO; TOURINHO, 2008).
Os sintomas também variam de uma pessoa para outra. Algumas percebem primeiro as reações físicas, como palpitações, falta de ar, tensão muscular ou desconforto no estômago. Outras sentem uma preocupação constante, dificuldade para relaxar ou a sensação de que precisam estar sempre preparadas para o pior.
Quando esses sintomas se tornam frequentes, provocam sofrimento ou começam a interferir no trabalho, nos relacionamentos ou na qualidade de vida, é importante procurar ajuda profissional. A psicoterapia ajuda a compreender os fatores que mantêm a ansiedade, identificar padrões de pensamento e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com eles (FROESELER; SANTOS; TEODORO, 2013).
Sentir ansiedade faz parte da experiência humana. Você não precisa se culpar por isso. Mas também não precisa enfrentar tudo sozinha. Com acompanhamento adequado, é possível compreender o que está acontecendo e aprender maneiras mais leves de viver.
Referências
COÊLHO, Nilzabeth Leite; TOURINHO, Emmanuel Zagury. O conceito de ansiedade na análise do comportamento. Psicologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v. 21, n. 2, p. 171-178, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/prc/a/MrqdGPVCrQG7SQzZXDCWbCg/. Acesso em: 21 jul. 2026.
FROESELER, Mariana Verdolin Guilherme; SANTOS, Janaína Aparecida Mendonça; TEODORO, Maycoln Leôni Martins. Instrumentos para avaliação de pensamentos automáticos: uma revisão narrativa. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 32-39, 2013. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&script=sci_arttext. Acesso em: 21 jul. 2026.
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